São Paulo, Brasil“Eu nem acreditava quando nos via na Praça da Sé, lutando pela volta da democracia no Brasil. Nós jogadores de futebol ao lado dos políticos mais importantes do país, enfrentando a Ditadura Militar. Foi um ato inesquecível. “Expusemos nossas vidas em uma luta pelo país. A Democracia Corinthiana não pode ser esquecida jamais. Mas não sou ingênuo. Fomos ouvidos porque ganhamos. Formamos um timaço que conquistou títulos. Ou seja: os troféus nos deram espaço obrigatório na mídia.’Juninho Fonseca fala com todo o orgulho, e inteligência, do que viveu no Corinthians. Ele foi um dos principais articuladores do movimento que enfrentou não só a Ditadura Militar, mas o coronelismo que dominava o futebol brasileiro. Conseguiram impor direitos fundamentais aos atletas. Como definir o que seria melhor para o time. Como a escolha de jogadores, horário de concentração, rotina de treinamento e até o melhor esquema tático. Tudo era aberto, discutido. “Nós tivemos atletas inteligentíssimos que se juntaram: Sócrates, o maior deles, Casagrande, Vladimir, Paulinho, Zenon. Eu já tinha experiência nesse assunto. Porque, de forma muito mais silenciosa, fizemos algo parecido na Ponte Preta. O que aconteceu no Corinthians teve repercussão nacional. Conseguimos colocar a força popular do futebol a favor da vida democrática.’Zagueiro talentoso, que misturava técnica e força física, surgiu em Campinas como substituto de Oscar. O Palmeiras sonhava em contratá-lo, negociou até. ‘Mas o Sócrates já havia me convencido a ir para o Corinthians. O convencimento aconteceu durante a Copa de 1982’, que disputamos juntos.’Juninho relembra com tristeza a queda daquela Seleção inesquecível. ‘Caímos diante da Itália, que era um grande time. Só que não me conformo até hoje. Tínhamos uma equipe melhor, mas que foi montada apenas para atacar. Tivemos três vezes o resultado que nos levaria à semifinal. 0 a 0, 1 a 1, 2 a 2. Mas o Telê não montou nem banco para a Seleção se defender. O Batista não estava entre os reservas. Ele era o melhor marcador da Seleção. Fez muita falta. E perdemos, querendo atacar, quando o empate servia.”Juninho ficou com uma recordação marcante daquele jogo. ‘Não entrei em campo, mas queria uma camisa da Itália como recordação. Acabei ficando com a do Paolo Rossi, que marcou os três gols contra nós. Ele acabou valendo muito dinheiro. Vendi a um colecionador.”Muito sincero, Juninho relembra o ódio com que a Democracia Corinthiana terminou. Ele foi banido do Corinthians.‘Os dirigentes que a bancaram perderam a eleição. Sócrates foi vendido. O Casagrande também. Eles decidiram se livrar de todos que participaram do movimento.“Eu fui proibido de entrar no Corinthians para pegar as minhas coisas. Foi muito triste. Os dirigentes recém eleitos representavam o atraso, a maneira ditatorial que o futebol era tratado. Onde o jogador não tinha direito de opinar para nada. Era tratado como mão de obra e só.“Juninho Fonseca foi vendido para o Juventus. Depois, Cruzeiro, Vasco. Foi para o Yomiuri no Japão. Trabalhou como técnico. Como coordenador técnico. Aos 68 anos, inteligente, comunicativo, trabalha como comentarista esportivo.‘Tenho muito orgulho da minha trajetória no futebol. Principalmente pelo que fizemos no Corinthians, pela Democracia Corinthiana, que inspirou clubes do mundo todo. E que o ódio do sistema, que acabou com ela, não conseguiu que ela fosse esquecida. Pelo contrário. Nunca será. ‘Qualquer sistema opressivo, principalmente no Brasil, vai saber que atletas não são massa de manobra. ‘A Democracia Corinthiana despertou a relevância da importância das opiniões dos jogadores. “Somos seres humanos com direito de nos posicionar em qualquer situação. Inclusive politicamente. Jogador de futebol deixou de ser alienado, como o sistema estava acostumado. Fizemos história no Corinthians. No mundo do futebol.’A emocionante entrevista com Juninho Fonseca está, na íntegra, no canal Cosme Rímoli, no youtube.São mais de 230 personagens do esporte brasileiro.Mais de 20 milhões e meio de visualizações.As exclusivas marcantes passam na Record News, aos sábados, 10 horas, no programa Cosme Rímoli entrevista.A desta semana será com Aranha, ex-goleiro que sofreu o pior caso de racismo do futebol brasileiro...

Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca · Imagem: Source: esportes.r7.com
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca · Imagem: Source: esportes.r7.com
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca · Imagem: Source: esportes.r7.com
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca · Imagem: Source: esportes.r7.com
Com a venda de Sócrates, a direção do Corinthians tratou de 'se livrar' dos demais líderes da Democracia Corinthiana. Entre eles, Juninho Reprodução/Conteúdo Estadão
Com a venda de Sócrates, a direção do Corinthians tratou de 'se livrar' dos demais líderes da Democracia Corinthiana. Entre eles, Juninho Reprodução/Conteúdo Estadão · Imagem: Com a venda de Sócrates, a direção do Corinthians tratou de 'se livrar' dos demais líderes da Democracia Corinthiana. Entre eles, Juninho Reprodução/Conteúdo Estadão
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca · Imagem: Source: esportes.r7.com
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca
Com ódio, o Corinthians acabou com a Democracia Corinthiana. ‘Quando o Sócrates foi vendido, o sonho acabou. Fomos banidos.’ Juninho Fonseca · Imagem: Source: esportes.r7.com