Saiu o edital do concurso de Escrevente Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça de São Paulo, e a primeira coisa que eu faria no seu lugar é anotar a data da prova: domingo, 14 de março de 2027. As inscrições ficam abertas de 28 de outubro a 10 de dezembro de 2026, no site da Vunesp, com taxa de R$ 81. Desde segunda (19), quando o edital saiu, quase toda mensagem que chega pra mim é uma variação de duas perguntas: “Esse concurso é pra mim?” e “dá pra passar começando do zero?”. Entendo bem a dúvida, porque já tive a mesma. Entrei nos estudos com um histórico escolar fraco, trabalhando 8 horas por dia, e passei duas vezes no TJSP, uma delas em sexto lugar.Dá pra passar do zero, sim. Só que tem uma condição, e ela fica mais clara quando a gente faz a conta, mais pra frente.Eu considero o TJSP uma das melhores portas de entrada pra quem quer passar no primeiro concurso, e o motivo começa pelos requisitos. O cargo de escrevente é de nível médio: terminou o ensino médio, pode prestar. Quem tem faculdade também pode, e ainda ganha um adicional depois da posse.Também não tem limite de idade, pelo menos não do jeito que muita gente imagina. Pode prestar quem tem de 18 a 75 anos, que é a idade da aposentadoria compulsória. Num mercado que troca profissional de 40 anos por alguém com metade da idade e metade do salário, isso pesa muito. Na Brabo, temos aluna que tomou posse no TJSP aos 46.O edital não pede experiência nem diploma de Direito. Quem decide a vaga é a sua nota.Agora pense no que tem do outro lado: cerca de R$ 8,2 mil líquidos, somando vencimento e auxílios, 40 horas por semana e a possibilidade de teletrabalho, que o próprio tribunal regulamenta. Se hoje você trabalha seis dias por semana por dois salários mínimos, dá pra imaginar o tamanho da mudança.Então, pra quem é? Pra quem tem ensino médio, quer o primeiro cargo público e topa estudar sério nos próximos cinco meses. Se é o seu caso, siga comigo.Os dados principais do edital:A prova objetiva tem 70 questões de múltipla escolha, divididas em três blocos:Tem também uma redação, que vale 40 pontos e só elimina: você precisa de 24 pontos (19,2 para cotistas), mas a nota não entra na classificação.Olhando a tabela, o que mais me chama atenção é o peso de Direito: 30 das 70 questões, mais de 40% da prova. E não precisa de faculdade pra isso, porque o edital lista artigo por artigo o que cai, e lei se aprende com leitura dirigida e muita questão. Português vem logo atrás, com 16 questões. O edital ainda exige acertar pelo menos metade de cada um desses dois blocos, além de nota 5 no conjunto. Quem largar uma das duas de lado é eliminado.Como o concurso é só para cadastro de reserva, o número que eu olharia com mais atenção é outro: 2.044 redações corrigidas na lista geral, divididas entre as 50 circunscrições, fora as listas de cotas. Só tem a redação corrigida quem fica entre os mais bem colocados na objetiva da sua circunscrição. Campinas corrige 140; Santos e Ribeirão Preto, 110 cada; Sorocaba, 75; cidades menores, como Votuporanga e Batatais, 15. A briga de verdade é por um desses lugares, e é a objetiva que coloca você nele.Dá, e eu consigo mostrar com números. Na Brabo, a referência que usamos para concurso de técnico estadual, como o TJSP, é de cerca de 300 horas de estudo até a prova. Ela vem de anos acompanhando aluno aprovado.De hoje, 26 de outubro, até 14 de março, são 139 dias. Com 2h30 por dia, todos os dias, dá cerca de 350 horas. Sobram 50 horas acima da referência, e você vai precisar delas: em cinco meses vai ter semana de fechamento no trabalho, filho doente, dia em que a cabeça simplesmente não funciona.Daria pra fazer com 2 horas? No limite. São 278 horas, abaixo das 300 e sem gordura nenhuma. Eu não arriscaria.O problema é que esse tempo encolhe rápido pra quem adia:Cada semana sem estudar são 17 horas e meia a menos. Quem começa em dezembro já não alcança as 300 horas, nem estudando 2h30 sem falhar um dia. Quem deixa pra depois do Réveillon precisaria de mais de 4 horas diárias, e trabalhando, isso dificilmente se sustenta.Por isso, eu acho que o prazo até a prova é a melhor notícia desse edital. Quase cinco meses dá tempo de aprender a matéria do zero sem virar madrugada, mas só pra quem começa agora.Eu sei que 2h30 assusta quem trabalha 8 horas por dia. Eu também trabalhava. Acordava uma hora mais cedo quando dava, aproveitava o que sobrava do almoço, lia no ônibus e estudava bastante no fim de semana pra compensar. Foi cansativo, mas coube na rotina.E não precisa gabaritar. Temos aluno que foi nomeado no concurso de 2024 com 68% de acerto.A condição que eu mencionei no começo é esta: as 2h30 precisam ser de estudo com método. Já vi gente estudar quatro horas por dia lendo e grifando livro e tirar nota pior do que quem estudava duas com organização.Se eu começasse do zero hoje, faria assim:O TJSP serve pra quem tem ensino médio, qualquer idade e vontade de mudar de vida estudando. A prova é em 14 de março de 2027, e o tempo até lá é suficiente pra quem começa do zero, desde que comece agora.Eu comecei sem base, sem tempo sobrando e com medo de não dar conta. O que fez diferença no meu caso foi começar antes dos outros e estudar todo dia, seguindo um ciclo.Se eu fosse você, hoje mesmo escolheria o horário fixo das suas 2h30 e estudaria a primeira matéria do ciclo. A inscrição pode esperar até 28 de outubro. O estudo, não.✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp









