Claudia Meireles

Da estreia no Teatro Nacional à ocupação da Arena Mané Garrincha, evento ampliou desfiles, estrutura e experiências em três edições

Amanda Kehrig, Marina Ferreira, Claudia Meireles

20/09/2026 09:42, atualizado 20/09/2026 09:47

Yasmin Brunet desfila para Zinc Complements

Em menos de um ano, o Metrópoles Catwalk percorreu um caminho marcado pela expansão. O evento, que nasceu em novembro de 2025 no foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro, chegou à terceira edição, encerrada nessa sexta-feira (18/9), ocupando pela primeira vez a Arena Mané Garrincha.

A mudança de endereço é a imagem mais evidente dessa trajetória, mas está longe de ser a única. Os desfiles, inicialmente concentrados em três dias, passaram a ocupar cinco noites; a estrutura ganhou novas proporções; o casting passou a reunir nomes conhecidos ao longo da programação; e a experiência oferecida ao público incorporou novos elementos.

“Muitas mudanças ocorreram, mas sem mudar a essência do evento. Na primeira edição eram três dias de desfile, agora são cinco dias. O fato de trazermos modelos famosas para cada um dos dias também foi um diferencial. No primeiro, só tínhamos em um dos dias, e trouxemos grandes nomes, já abrindo o evento com Yasmin Brunet”, explica Nicole Meyer, engenheira que integra a equipe responsável pela realização do Metrópoles Catwalk.

Yasmin Brunet desfila para Biruta

Evy Dias e Negra Li no final do desfile da Glowshine

Nicole Meyer

O começo no Teatro Nacional

A história começou entre 3 e 7 de novembro de 2025. Realizado no Teatro Nacional Claudio Santoro, o primeiro Metrópoles Catwalk reuniu moda, arte e formação em uma programação gratuita, com desfiles, exposições, rodas de conversa e oficinas.

Embora o evento tenha ocupado cinco dias, os desfiles ficaram concentrados nos três últimos. Ao todo, 70 modelos integraram o casting, sendo 40 profissionais do Distrito Federal. Isabeli Fontana, Caroline Trentini, Vivi Orth, Cássia Ávila e Daiane Conterato estiveram entre os nomes de destaque que cruzaram a passarela.

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Isabeli Fontana

Primeira edição do Metrópoles Catwalk

A primeira edição também estabeleceu uma característica que acompanharia o projeto: aproximar a produção brasiliense de nomes reconhecidos nacionalmente. Gloria Coelho celebrou 50 anos de carreira apresentando Léxicos, a centésima coleção da marca homônima, a convite da multimarcas brasiliense Jeté. Reinaldo Lourenço, convidado pela Magrella, apresentou a coleção Primavera/Verão 2026 e homenageou Cleuza Ferreira, fundadora da multimarcas e nome histórico da moda brasiliense.

Além da passarela, exposições, rodas de conversa e outras atividades ampliaram a programação, transformando o foyer da Sala Villa-Lobos em espaço dedicado a diferentes frentes do universo fashion.

Reinaldo Lourenço e Cleuza Ferreira na passarela do Metrópoles Catwalk

A estilista Lucila Pena e a modelo Carol Trentini

Da estreia à expansão

Cinco meses depois, o Metrópoles Catwalk voltou ao mesmo endereço, mas com uma programação de desfiles ampliada. Realizada de 6 a 10 de abril de 2026, a segunda edição passou a ter cinco dias de passarela e reuniu 30 marcas do Distrito Federal e de outros estados.

O line-up combinou etiquetas autorais, multimarcas brasilienses e nomes de projeção nacional, mantendo o intercâmbio entre a produção da capital e criadores de diferentes partes do país.

Desfile Adriana Degreas na segunda edição do evento

A cenografia também ganhou uma nova leitura. Desenvolvido por Isadora Gobbo, Rafael Soares e Isabella Ferreira, o projeto buscou integrar moda e arquitetura, com cubos iluminados inspirados na fachada do Teatro Nacional, além de uma iluminação pensada para valorizar o painel de Athos Bulcão e os jardins do espaço.

A segunda edição, assim, ampliou a programação sem abandonar um elemento presente desde a estreia: a relação do Catwalk com espaços emblemáticos de Brasília.
Desfile no segundo Metrópoles Catwalk
George Azevedo comemora desfile no Metrópoles Catwalk
Uma nova escala na Arena Mané Garrincha
Para a terceira edição, realizada entre 14 e 18 de setembro, o Catwalk deixou pela primeira vez o Teatro Nacional. A Arena Mané Garrincha apresentou um desafio diferente: transformar um espaço de grandes dimensões, associado principalmente ao esporte e aos grandes shows, em ambiente de moda.
“As outras duas edições foram no teatro e agora, no estádio, temos um espaço bem maior, que tem uma beleza natural enorme. Mas, como é um lugar esportivo, adaptamos para um espaço de moda e tivemos uma cenografia totalmente diferente das outras edições, que inclusive puxou mais para uma pegada de verão”, conta Nicole.
Projeção do Metrópoles Catwalk sobre desfile
Mikaela Gomes desfila para a Sun Rose
O projeto assinado por Isadora Gobbo e Rafael Soares buscou referências no verão tropical e em grandes semanas de moda internacionais. A passarela ganhou formato inspirado em ondas e foi posicionada entre os pilares da Arena, incorporando características da arquitetura do estádio à cenografia.
Segundo Nicole, as dimensões do novo endereço permitiram ampliar a passarela e redistribuir os ambientes. O formato também foi alterado para aumentar o número de lugares na primeira fila e favorecer a visão do público.
“O estádio, por ser maior, permitiu aumentar o evento, inclusive a passarela, e dimensionar melhor as áreas. Colocamos um LED enorme, que aumentou ainda mais o brilho do evento”, relata.
Equipe de produção do Metrópoles: Isadora Gobbo, Anna Lidia Lima, Nicole Meyer, Isabella Ferreira, Gabriela Castelo Branco, Cleucy Estevão, Luiz Estevão, Isa Gomes, Mônica Guanabara e Rafael Soares
Adaptar um estádio ao universo fashion, entretanto, exigiu uma nova operação.
“O maior desafio foi, com certeza, o local novo, toda uma logística e adaptação por trás disso. Nossas arquitetas se dedicaram muito nessa cenografia totalmente diferente das outras edições e arrasaram nisso. O desafio também foi trazer conforto para o público em um local de dimensões tão grandes e que é mais voltado para jogos de futebol e shows”, afirma.
Público na terceira edição do Metrópoles Catwalk
Fim de tarde na Arena Mané Garrincha
A experiência para além da passarela
A evolução também apareceu nos detalhes pensados para quem acompanhou a programação. De acordo com Nicole, a equipe estudou o tempo entre os blocos de desfiles, criou mais espaços destinados a fotos e trabalhou a disposição da passarela para melhorar a experiência visual: “Aumentamos a passarela e mudamos o formato para que tivessem mais pessoas em primeira fileira e todos tivessem uma visão melhor.”
“Estudamos melhor o tempo entre os blocos para que ficasse um tempo legal para o público, mais espaços para as pessoas tirarem foto e uma exposição de roupas em um ambiente diferenciado para as pessoas desfrutarem melhor da experiência”, detalha.
Vivi Orth no desfile da Letícia Gonzaga na terceira edição do evento
Público acompanha desfile no terceiro dia do Metrópoles Catwalk
Desfile sob a projeção do Metrópoles Catwalk
Uma das novidades foi justamente a exposição rotativa de peças apresentadas no Catwalk. Com 20 manequins, além de acessórios como bolsas, chapéus e joias, a mostra era atualizada diariamente e permitia observar de perto elementos que poderiam passar despercebidos durante os minutos de um desfile.
Nos bastidores, a busca por uma vaga na terceira edição também ganhou dimensão nacional. Um casting presencial realizado em São Paulo, em julho, reuniu 452 modelos. O elenco do evento contou com profissionais do Distrito Federal, de São Paulo e de Goiás.
Na passarela, nomes conhecidos foram distribuídos pelos diferentes dias da programação. Yasmin Brunet esteve na abertura da edição, enquanto Vivi Orth, Jhona Burjack, Raica Oliveira, Renata Kuerten, Ellen Milgrau, Gianne Albertoni e Negra Li estiveram entre os destaques que cruzaram a passarela ao longo da semana.
Louback no final do desfile ao lado da modelo Raica Oliveira
Jhona Burjack
Desfile da Victor Dzenk
Brasília como palco para a moda
Ao chegar à terceira edição, o Metrópoles Catwalk reuniu mais de 30 marcas nacionais ao longo de cinco noites na Arena Mané Garrincha. Para Nicole, o crescimento também pode ser percebido na resposta do público e no interesse de marcas em integrar a programação.
“Com certeza, o público, que a cada edição cresce, a quantidade de marcas interessadas em participar, que também vai aumentando a cada edição, a quantidade de celebridades que trouxemos e o engajamento do público, que cada vez demonstra mais animação e interação com o evento”, afirma.
Do foyer de um dos principais monumentos culturais da capital à escala de um estádio, três edições foram suficientes para a iniciativa experimentar formatos, ampliar a programação e construir uma relação cada vez mais próxima com a cena fashion brasiliense.
Na avaliação de Nicole Meyer, essa conexão resume o caminho percorrido até aqui: “O Metrópoles Catwalk hoje já é uma marca de Brasília e, muito além disso, mostra para todo o Brasil que Brasília é palco para a moda.”
Renata Kuerten desfila para Lucila
Gianne Albertoni desfila para George Azevedo
Ellen Milgrau e Kelly Nobre no final do desfile da Sau Swim
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