Com menos de duas semanas para o fim do primeiro turno das eleições de 2026, o governador e postulante à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o candidato Fernando Haddad (PT), principais nomes na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, se enfrentaram apenas uma vez em debates promovidos por emissoras de televisão e rádio.O embate entre os dois aconteceu durante a pré-campanha eleitoral, em 9 de agosto, e foi marcado por ataques e defesas em temas como segurança pública, educação, economia e privatizações no estado de São Paulo.Desde então, Tarcísio não compareceu aos outros dois debates previstos durante a campanha — um deles foi cancelado e outro foi transformado em sabatina com Haddad. O governador lidera as pesquisas de intenção de voto, com uma possível vitória em primeiro turno segundo alguns levantamentos. Leia também São PauloReal Time Big Data indica vitória de Tarcísio sobre Haddad no 1º turno São PauloHaddad lamenta ausência de Tarcísio em debate: “Desrespeito com eleitor” São PauloHaddad e Tarcísio buscam eleitorado religioso em agendas de campanha O cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Leonardo Paz Neves entende que a ausência opera como parte de uma estratégia de preservação dos candidatos.“[São Paulo] só tem dois [candidatos] que são exatamente viáveis, de acordo com as pesquisas. Só que, se o Tarcísio vai no debate do primeiro turno, ele não debate só com o Haddad, ele vai ter que debater com um monte de gente. Vai ter um monte de gente que vai começar a fazer as perguntas mais bélicas, até porque a gente tem um pouco o fenômeno Padre Kelmon. Aquela figura que entra no debate, não para ser candidato, mas ele entra a serviço, quer dizer, como um proxy de outro ator, que está ali só para criar confusão, caos, e deixar você numa situação desconfortável”, afirmou o cientista político.Em 2022, a participação do então candidato à presidência Padre Kelmon (PL, à época no PTB) chamou atenção por ele ter atuado como um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante os debates realizados no primeiro turno.No mesmo ano, na disputa pelo governo de São Paulo, tanto Tarcísio quanto Haddad estiveram presentes em todos os debates promovidos por emissoras de rádio e TV ao lado de outros postulantes. Neste ano, no entanto, os encontros priorizaram apenas os dois candidatos. O próximo debate está marcado para o dia 29 de setembro, na TV Globo.Questionado sobre a ausência dele no debate promovido pela Record na última segunda-feira (21/9), Tarcísio afirmou que a modelagem atual dos debates precisa ser ajustada.“Os debates viraram muito mais do mesmo. A grande questão é, do tipo de debate que a gente tem hoje, será que ele está agregando para o eleitor? Então, é essa a pergunta que a gente tem que fazer”, disse o governador. ”O debate não pode ser um lugar só para proporcionar alguns recortes para a rede social. Não é isso que o eleitor quer. O debate não pode ser vazio. O debate tem que ser propositivo. É óbvio que isso depende do debatedor, mas também depende do formato”.A campanha dele afirmou, por meio de nota, que a participação do governador em futuras agendas, como debates, será avaliada caso a caso e decidida no momento oportuno.Já Haddad disse, durante uma agenda de campanha no último fim de semana, que a ausência de candidatos nos debates é ruim para o eleitor e para a democracia. A sabatina da última segunda-feira foi feita ao lado do púlpito vazio de Tarcísio.“Ao fazer isso, sobretudo quando há só dois candidatos, e portanto tem um primeiro turno com cara de segundo, você só nega ao cidadão o direito de comparar [programas de governo] e isso é ruim para a democracia, na minha opinião. Imagina que só tivesse o Lula e o Flávio no plano nacional [no primeiro turno] seria de bom tom que os dois comparecessem. Uma vez que aqui nós só temos dois viáveis, um se dispõe a debater e o outro não? É uma coisa que me parece um pouco estranha”, disse.A legislação eleitoral vigente estabelece regras para a realização dos debates, como quem pode ser convidado, mas não obriga os candidatos convidados a comparecer.“Tenho dificuldade de entender um modelo que vai atacar a demanda do candidato incumbente, do Lula, do Tarcísio, de quem você queira. Nesse contexto, eu não vejo um modelo que, nesse momento, seja mais confortável para eles. O ideal para eles é o segundo turno em que podem debater com uma pessoa só e aí fica realmente um jogo mais franco. Você se prepara para se defender e atacar de uma pessoa só”, destaca Neves.O governador também têm evitado sabatinas e priorizado lançamento de campanhas de deputados aliados e corpo-a-corpo com eleitores para divulgar propostas. Tarcísio, até o momento, participou apenas de quatro sabatinas, enquanto Haddad esteve em 24 entrevistas em diversas emissoras paulistas ao longo da campanha.









